História

Vanessa Juliana

Vanessa, Juliana. Dois nomes fortíssimos que dizem muito de mim. Eu venho do sul do país, da cidade de Blumenau, embora eu ultimamente não tenha gostado muito de fazer referência a essa minha origem, por motivos políticos e de conservadorismo, não tenho sido muito feliz daquela origem, mas feliz por ter. Transposto aquela origem e hoje estar aqui no Vale do Mucuri, na cidade de Teófilo Otoni, cercada de muitas pessoas interessantes e importantes, também no processo de amadurecimento político, de posicionamento político que eu tenho.

Vanessa significa Rainha das borboletas, então tem toda uma relação com um processo que é ao mesmo tempo efêmero, mas também fala de transformação. E Juliana diz daquela que tem juventude e hoje, aos 43 anos, tem avaliado que sim, esse nome ele era para ser meu efetivamente, porque ele diz muito dessa pessoa que está aqui hoje. Trajetória importante de saída de um casulo e de vôo para aquilo que é a mulher que me constitui hoje.

Pai e mãe vivos ainda e tenho dois filhos Luan e Brenda. Hoje, 2024, tenho uma companheira casada já há aproximadamente 15 anos, professora na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri, no curso de Serviço Social e estou Arte Educadora também e coordeno um projeto na universidade que é o Grupo Cultural Tambores do Mucuri e Arte Consciência, que é um grupo de teatro universitário.

Sou militante, sou vice presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. A política é um elemento muito importante na minha vida e na minha constituição. É isso! Eu chego em Teófilo Otoni em 2007. É o momento que, posteriormente, pelas conversas que a gente foi estabelecendo, algumas lembranças que a gente vai retomando e construindo também. Foi um momento em que muitas pessoas do In-Cena voltaram para Teófilo Otoni e tinham saído para estudar ou para trabalhar, morar fora. E esse período aí de 2006, 2007, foi um momento que essas pessoas estavam retornando. E André juntamente com a Cida, vem para desenvolver um trabalho aqui em Teófilo Otoni até onde a minha memória não me trai. E fundam o In-Cena o grupo, até onde eu saiba, e não o Instituto em si. Mas foi apenas em 2012 que eu conheci efetivamente o In-Cena e passei a fazer parte do In-Cena. Eu me lembro que a primeira vez que eu ouvi falar do In-Cena foi pela pessoa do André, numa reunião que aconteceu na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, a convite da Raquel Leite, que era uma servidora técnica administrativa da universidade, que na época era a responsável pela extensão e pela cultura aqui no Campos do Mucuri.

Estava num processo de produção, na verdade, de discussão em construção no Festival de Primavera, que nunca aconteceu, O Festival da Primavera, como se estava propondo que fosse uma grande festa, que tratasse da nossa cultura, das nossas manifestações culturais e artísticas da região, que fosse um festival que promovesse culturalmente também a nossa região. E foram chamados esses diversos sujeitos.

E nessa reunião que foi num dos auditórios lá da Universidade, foi que eu conheci o André e no intervalo da reunião a Raquel me colocou em contato com ele e me apresentou. Na época ela fazia parte, não era do grupo de teatro, era da escola de teatro que o In-Cena tinha. Fazia aulas no In-Cena, a Raquel. Eu já tinha ido também assistir um espetáculo e antes disso eu tinha ido assistir um espetáculo. Eu me lembro de André me convidar então para para fazer parte desse processo da curadoria e de uma reunião que teve na casa dele, de eu ter conhecido algumas pessoas que se tornaram pessoas muito especiais para mim e de ter reencontrado. Vai saber. E aí eu chego lá, o André me convida para ir, o pessoal dobrando os panfletos e é todo mundo assim, algumas pessoas novas para mim e eu também. Nova para a maioria delas e muitos deles, sobretudo do In-Cena sem entender muito quem era aquela pessoa que estava chegando e que já estava também cheia de funções, de ideias e de pitacos e tal. Um pouco depois eu já estava atuando também, cantando, enfim, essa é a relação que eu tenho com o In-Cena. Eu venho de uma formação cristã, né? Pentecostal inclusive. E dessa formação eu trago como herança a relação com a música. Desde criança eu passei por um processo de formação musical, cantava, fiz aula de alguns instrumentos musicais, mas aqui Minas Gerais foi o lugar onde eu me reencontrei. E digo reencontrei porque é a única explicação que eu tenho para isso. Com o tambor na minha, a minha infância e a minha juventude, ela foi toda privada da relação com o tambor, inclusive por conta da minha relação com a Igreja que eu tenho com o tambor.

Uma relação de vida por tudo o que ele significa em termos de comunhão, em termos de de ressoar as mensagens importantes e necessárias para a construção de um outro mundo, de outras relações. Há um momento em que eu volto para minha casa Nas primeiras férias que eu tive, isso foi. 2000 e eu entrei em 2007. Isso foi no final meados de 2008, quase início de 2009. Primeiras férias que eu tive, que eu volto pra casa no sul eu pensei eu preciso levar um projeto para desenvolver com o meu pai para eu poder ficar com ele algum tempo fazendo alguma coisa com o menor estresse possível.

E aí eu levei um projeto de construção de um tambor. Bom, vou construí um tambor junto com o meu pai. Foi o primeiro tambor que a gente construiu junto, que eu construí, construí junto com o meu pai e com o meu irmão. Eu tenho ele até hoje. O tambor maravilhoso, uma alfaia de 20 e uma polegadas e ela é grandona e tal.

E começo a utilizá-la também nesse processo de educativo, nesse processo de arte, educação. E eu faço parte do Instituto como membro e membro fundador. Eu não sei se teve alguma alteração, mas recentemente se fui excluída ou não mas, não fui avisada. Então até onde sei, eu faço parte do Instituto. Hoje eu estou com menos responsabilidades no Instituto. Eu, por um tempo significativo, fiquei responsável pelas artes gráficas do Instituto e do grupo In-Cena também. E mais recentemente, eu estou responsável mais exclusivamente pelas artes do Festival de Teatro de Teófilo Otoni. Talvez o que o In-Cena é dentro de mim, não o que eu sou dentro do In-Cena sabe? Com certeza. A partir dessa relação com o Instituto, eu sou uma pessoa e uma arte educadora muito mais enraizada, em que pese não imobilizada no vale do Mucuri.

Se eu tiver que em algum momento da vida dizer qual que é a herança que o In-Cena me traz, né? Ela necessariamente vai estar vinculada a existência do meu filho e da minha filha. Porque ela veio, porque ele veio. E hoje nós somos. Porque nós somos com o In-Cena. E acho que é isso. Meu corpo é templo. Casa de oração é rocha, é abrigo, morada.

Meu corpo é céu,

meu corpo é chão,

meu corpo é pão,

meu corpo é arte,

é palco, é picadeiro.

Meu corpo é poesia,

música,

fantasia.

Meu corpo é grito,

não cala.

Meu corpo fala.

Meu corpo é pauta,

disputa,

deliberação.

Meu corpo sagrado,

Profano é arma.

Revolução.

Histórias em destaque

Tem alguma história para compartilhar?

Entre em contato conosco através dos nossos canais, ou deixe uma mensagem para nós. Estaremos a postos para atendê-lo.

Venha contar sua história
instituto@incena.org
R. Amadeu Onofri, 206 - Manoel Pimenta, Teófilo Otoni - MG, 39802-083
Parceria Cultural:
Patrocínio:
Realização: