História

Valeria Cristina

Valeria Cristina

Meu nome é Valéria, eu sou natural de Queluzito. É um município muito pequeno, tem 2000 habitantes, próximo disso não chegam a 2000 habitantes. E eu até costumo brincar que agora são 1999 porque eu não estou lá. Meus pais moram na zona rural desse município, que é um município já muito pequeno, muito cedo e tive que sair de lá porque à época não era possível continuar os estudos no próprio município.

Então eu me desloquei para outros municípios para continuar minha trajetória de estudos e isso me trouxe até Teófilo Otoni. Eu estive em São João del Rei, em Conselheiro Lafaiete, em Belo Horizonte. Fiz uma parte do meu doutorado fora do país e aí depois eu tive a oportunidade de vir para Teófilo Otoni. Foi aberta uma universidade aqui, a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e eu fiz um concurso para esse campus e aí me tornei professora. E desde 2009 eu trabalho na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Nesse momento eu estou em Diamantina. Nós tivemos uma troca de gestão no meio do ano e aí, nessa troca de gestão, eu recebi um convite para assumir a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Conheci isso In-Cena em 2012. Eu me lembro de, nas primeiras vezes em que eu fui lá na antiga sede de In-Cena, que funcionava na Francisco Sá, e ver um turbilhão, porque era a organização do primeiro festival.

Eu cheguei e ajudei a dobrar muito folder do primeiro FESTTO e material de divulgação. Tinha acabado de chegar final de tarde e via os meninos ensaiando também. Foram os primeiros contatos assim que eu me lembro de ter com In-Cena. E aí a nossa aproximação foi se tornando cada vez mais forte e perdura até hoje. E eu acho que o primeiro contato com o nome foi Vanessa Juliana, que já tinha se aproximado, já tinha conhecido o André Luiz, um dos fundadores aí do grupo. Tenho impressão que foi ela que me falou deles primeiramente e que me convidou inclusive para estarmos lá naquele espaço e é aí onde eu começo a conhecer o trabalho do grupo. No Instituto eu fiz aulas, eu fui aluna, eu fiz duas apresentações como atriz dessa turma de estudantes e a gente sempre colaborou nos conselhos, na parte mais administrativo do instituto e depois a gente começa a estreitar uma parceria também para a realização dos projetos de extensão com a universidade.

Então eu vou ter que repetir algo que eu falo muito, que é sobre a política cultural da UFVJM. Ela foi muito importante. Ela foi um marco muito importante, porque eu vi uma possibilidade de estreitar esses laços com o Instituto Cultural In-Cena. Propus ao André que a gente poderia montar um grupo de teatro universitário. Então esse grupo se chama Grupo de Teatro Universitário Arte Consciência. A gente criou esse grupo em 2013 e durante dez anos nós tínhamos as reuniões semanais que sempre ocorriam nas quintas feiras de 18h às 19:30h na universidade. Então a gente tinha esse movimento e foi também um ponto de refúgio, um momento de descontração e um momento de leveza para estudantes que às vezes passavam por momentos difíceis dentro do próprio curso.

Foi uma interação muito rica. Tenho essa impressão que também a gente começou a fazer uma parceria onde as vezes as pessoas chegavam no In-Cena e a partir da chegada no In-Cena chegavam a universidade e às vezes as pessoas chegavam na universidade e a partir da chegada na universidade chegavam no In-Cena. Para além dessas parcerias, que são parcerias de trabalho, o que a gente construiu aqui foi algo muito bonito, que foi uma relação de amizade, de amor entre essas pessoas que interagiram a partir desse e desse encontro que a arte proporcionou.

Então, hoje o que eu tenho aqui são grandes amigos, são pessoas que são, que eu considero a minha família e assim, profissionais de excelente qualidade. Então eu fico é muito orgulhosa de ver um coletivo como esse na cidade onde eu moro hoje, porque onde eu atuo. Onde eu vou voltar a morar em algum momento e assim eu acho que é um ganho enorme o município poder contar com um coletivo como esse que a gente tem aqui.

Nós tivemos aqui um evento sobre isso, saneamento básico. Então, se a gente é convidado já de início pra fazer a proposição de uma intervenção teatral que abordasse a temática, nós fizemos uma intervenção que marcou bastante as pessoas. As pessoas se emocionaram, vi muitas pessoas chorarem. Então, que esse é o papel da arte, fazer com que as pessoas possam, possam refletir e possam se colocar em um outro lugar, em uma outra pele.

Tentar fazer esse movimento, se colocar em outro outro lugar, olhar por um outro ponto de vista e então assim, eu acho que a gente avançou muito nesse sentido, mas essas foram barreiras que a gente foi esbarrando nelas. Assim, em especial no início dessa. Depois a relação foi ficando muito legitima. Então a gente convidava também o In-Cena para estar nas nossas atividades, para construir junto com a gente e muitas coisas.

E aí essa relação ela foi ficando mais legitima e lá dentro também o In-Cena foi ganhando um respeito pelo trabalho que desenvolve aqui na região e sempre nessa perspectiva de não ser somente uma formação artística que seja, que também fosse uma formação de pessoas para pensarmos sempre na perspectiva de pessoas melhores. Então isso também foi um projeto muito importante que o próprio grupo Cultural Tambores no Mucuri também conta com parceria do In-Cena mais próximas.

Eles são... as vezes Marcela Veiga também, que dá esse suporte musical em alguns momentos. O próprio Bruny Muruci, que também é uma das pessoas que compõe lá o coletivo que é coordenado pela professora Vanessa Juliana. Do Junior que foi um trabalho muito bonito. A gente ainda está em fase de finalização, que nós fizemos entrevistas com mulheres e aí nós vamos fazer um livro a partir desse material.

A gente ainda está trabalhando nesse projeto, Então foram muitas oportunidades de trabalhos muito interessantes e que fizeram com que a gente pudesse aprender muito aí ao longo desse tempo e conhecer muitas pessoas e conhecer muitos lugares. E a gente foi se modificando ao longo dessas dessas relações e que se preocupa com isso. E as pessoas? Elas estão sempre buscando mesmo uma capacitação, que é que é fundamental no universo das artes, porque são muitas as novidades, são muitas as coisas que se precisa conhecer e quanto mais se estuda, quanto mais se aprende, quanto mais se busca esses conhecimentos, mais o grupo evolui.

Com essa evolução, há também uma evolução para todos os que estão próximos. É muito bonito ver isso. E então, no ponto de vista profissional, me abre uma possibilidade de trabalhar tendo a arte como uma ferramenta, sem menosprezar essa esse termo ferramenta e mesmo ali, como uma possibilidade. Recentemente eu fui uma escola com o nosso grupo, o Arte com Ciência e levei a mesma atriz que tinha levado há um ano atrás. Um ano atrás ela tinha ido caracterizado como uma banana e no ano seguinte ela vinha como uma minhoca.

Aí eu cheguei e perguntei para os estudantes se eles se lembravam de mim e aí foi aquele não. Assim, o não de A a Z do público presente. E quando eu perguntei se eles se lembravam dela e mesmo que ela tivesse com caracterizações diferentes, com figurino e maquiagem diferente, peruca em um espetáculo, eu estava com peruca no no outro não estava. Quando eu perguntei, eles se lembravam dela e aí eles disseram Ah, é a banana, né? Então quer dizer que marcou tanto a vida deles assim que eles tiveram essa, essa referência, essa memória? Então, eu nunca tive vontade de sair, de ter o relatório, e isso é muito em função desse... desse trabalho que existe aqui, porque eu sei que... que existem grupos em diversos lugares, mas eu sei que esse grupo é muito particular, então as relações que eu estabeleci, que são relações que dificilmente estabeleceria em outras universidades, então tem muito motivada a buscar outras formações.

E é a partir de tudo o que eu vivenciei aqui que fazer uma especialização em História do teatro, uma especialização em dramaturgia. E isso foi dando uma possibilidade também um potencial maior ao nosso próprio grupo. Então, trocas muito, muito ricas, tanto do ponto de vista pessoal quanto do ponto de vista profissional e acadêmico.

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